Ozzylândia: reino-comuna.

4 04UTC Julho 04UTC 2008

Numa clara manhã de quinta-feira à noite…

Arquivado em: Poesias — ozzythewizard @ 8:03 PM

Durante 3 anos estudei paradoxos, lógica, metalinguagem e outras coisas. Ao fim de muita leitura, uma conclusão (óbvia!): “Eu não sei nada.”

Minha defesa foi marcada pela minha total certeza de que, com ou sem críticas, eu preciso estudar muito mais do que já estudo.

Entre definições dicionarizadas e discussões filosóficas, encontrei na filosofia de Gilles Deleuze suporte teórico para discutir paradoxos e metalinguagens. Pois bem, confesso que durante todo este tempo não entendi lhufas do que ele estava falando, mesmo lendo 10 vezes o mesmo trecho.

Hoje encontrei a transcrição de uma apresentação feita como seminário na Unicamp. Três alunos apresentavam para o professor suas conclusões sobre o livro Lógica do Sentido, de Deleuze. Sinceramente, não haveria exemplo melhor do que os que foram apresentados ali. Agora compreendo melhor o que estudei durante tanto tempo. E, em dado momento, uma das componentes do grupo apresentou um fragmento de um livro chamado Clara Manhã de Quinta à Noite, dos autores Don Wood e Audrey Wood. Literatura infanto-juvenil que precisarei comprar.

Escolhi este tema (maluco) para estudar por perceber, nos escritos de Guimarães Rosa, expressões contraditórias, paradoxais. Ao estudar a vida do escritor, inclusive suas entrevistas, percebi seu fascínio em brincar com as palavras. Havia algo de alquímico em seus escritos, uma mágica nas suas construções. Depois descobri que Rosa escrevia por gostar de “brincar” com as palavras, expressões, ditados, enfim, dava um tom infantil (sem ser simplista) em construções extremamente complexas. A meu ver, esta escrita diferenciada de Rosa visava uma abstração, senão ruptura, com padrões e normas pré-estabelecidas na literatura de seu tempo.

Mas, voltando à transcrição do trabalho da Unicamp, eis um trecho da apresentação, retirada do livro Clara Manhã de Quinta à Noite:

“Numa clara manhã de quinta-feira à noite, acordei e sonhei que tinha morrido; meu galo vermelho põe um ovo e me chama cocorocó  e me tira da cama; vesti a roupa para meu enterro, uma festa bem simples com muito luxo; os convidados contentes choram o tempo inteiro até os mais pobres cheios do dinheiro; quando a banda tocou gelatina de osso, todos nós sentamos para dançar, aí apareceu uma batata Argentina sem roupa com calça de gabardina; que bom ver você novamente – falei -  e a primeira vista me apaixonei, vamos comer que morro de sede – ele disse – e de uma só bocada comi o infeliz; veja o que fez comigo – gritou o crocodilo – comeu o estranho, meu melhor amigo; eu não fiz isso – sorri arrependida – e não vou fazer de novo é o que lhe digo; como tenho pressa, demoro a contar, a batata Argentina pudemos salvar, aí o crocodilo fez o nosso casamento e ficamos solteiros no mesmo momento; eu sabia, sabia, eu tinha certeza, por isso gritei muito surpresa: aí vem um bebê sem nenhum cabelo com um topete na testa como um novelo; eu sou mentirosa, mas a estória é verdade e o fim acontece antes da metade; se você acreditou nessa mentira verdadeira recomece do fim toda brincadeira”.

Extraído de: www.fe.unicamp.br/dis/transversal/Transcricoes/II-Transcricao.doc

24 24UTC Dezembro 24UTC 2007

Mais um Natal chega, e um ano se vai…

Arquivado em: Poesias — ozzythewizard @ 4:04 AM

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… e você fez centenas de pessoas rirem com suas brincadeiras, piadas, sarcasmo, ironia etc.

Mas por dentro, o vazio aumenta.
As coisas não se encaixam.
As palavras faltam.
O sorriso enfraquece.

(“Sorrir de si? Não dá! A vontade é de chorar”)

Vêm as festas,
Doces, bebidas, sorrisos.
E você, mais que ninguém,
Cada vez mais só.

Vai ao banheiro,
Olha no espelho.
E se pergunta:
“Que falta?”

Vá, palhaço,
Limpe a maquiagem,
Tire a peruca, troque de roupa,
Calce outro sapato.

Você tenta,
Mas os pés são grandes demais,
Outras roupas não lhe servem,
A maquiagem sai, mas já marcou sua pele,
E você volta pro circo.

Um circo sem fim, nem começo,
Mundo-circo,
Onde o picadeiro vai até a Lua.
Sua platéia fiel,
Quando você vaga sozinho à noite…

30 30UTC Novembro 30UTC 2007

Arquivado em: Poesias — ozzythewizard @ 2:09 AM

Poema sem nome

.
Eu não viverei para sempre.
Enquanto vivo quero intensamente as cores, a intertextualidade,

a melodia, a arte,

a paixão, as montanhas,

os livros, o amor

e o que a eterna metamorfose me oferece.
Eu não viverei para sempre.
Sou quem eu sou.

Tenho medo do meu eu, meu ego, minha alma.

Vivo para mim.
Sei de pessoas, filmes, arte, vida, flores.

Sei e gosto do que sei.

Vivo para mim.
Crio minha própria resposta.

Contesto minha vida.

Abro caminhos, cabeças… Tapo buracos.

Não quero mais dizer: “é tarde demais!”.

Planto meu jardim.
Eu não viverei para sempre.
Sei do meu ódio, inveja, posse, ânsia, diversão.

Sei o que sou, não do que sei.
Todos os dias me olho no espelho. Sempre há uma mudança.

Externa?

Não! … Interna.
(Olhe para dentro.

Sonhe para dentro.

Sinta tudo dentro de você.)
Nunca deixo o tempo curar nada.

Me curo, com minha alma.

Não gosto de curativos.
Sempre seguindo em frente, com os pés no chão,

de corpo e alma me entrego por inteiro às coisas simples

que fazem minha metade lagarta se transformar em borboleta.
Isso tudo por um motivo:

Não viverei para sempre.

Letícia Kumaira – Nov/2007

(Aluna do Colégio Módulo, de Belo Horizonte, e motivo de orgulho para mim,  professor de Português e Literatura)

“Sem nome” – (nov.2007 – Letícia)

Arquivado em: Poesias — ozzythewizard @ 2:01 AM

 
Escolhemos o que somos.
Temos a alma da eternidade.
Nos colocamos para baixo.
Motivos são fúteis.
Sonhos.
Sonhos são eternas ameaças do destino.
Somos tolos.
Choramos.
Vivemos de passado.
Poesia nos alimenta. 
Arte nos engole.
Pessoas apalpam sua mente nua.
Têm a capacidade de modelá-la, vesti-la.
Escolhemos o que somos.
O real não é o inerte.
São falsos conceitos, enganos sem rumo.
Quanta hipocrisia!
Tudo girando em torno do sol.
Relaxe, aproveite, viva, sinta, fale, expresse.
Tenha orgulho de si.
Vergonha e infelicidade são amigos.
Íntimos.
Abrir os olhos.
Acordar.
Tudo girando em torno do sol.
 

Letícia Kumaira - nov.2007

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