Pipoca. Não aquela que você faz em casa, mas a que é comprada na rua, em ambulantes.
(Comprei-a enquanto ia para uma festa de colação de grau. Algumas pessoas estranharam, um cara de terno e gravata comendo pipoca? “Excêntrico” – devem ter pensado.)
Doce toda vida. Sabor de infância.
Coisa necessária de se fazer pelo menos por algumas horas do dia: deslocar-se no tempo.
Algumas pessoas buscam retiros espirituais para descansar a mente. Deslocar-se no espaço na busca de paz. Sair da cidade para fazer trilha de bicicleta, caminhar no mato, acampar, nadar em rios. Estou aprendendo a deslocar no tempo, ir para minha infância, relembrar bons momentos, reviver sensações agradáveis.
E consegui fazer isto comendo pipoca. Aquele cheirinho de doce na boca, lembra a hora do recreio da 8ª série no Colégio Adventista Colorado.
Lembrei de Einstein, não sei porque. Acho que a questão de deslocar no espaço em busca de tranqüilidade me fez criar o paralelo com deslocar no tempo, pois, se os personagens literários possuem tempo e espaço psicológico, então também deslocarei em meu tempo psicológico. Se posso mudar o espaço físico ao meu redor, também mudarei meu espaço temporal (mesmo que na minha mente).
Tempo. Aliado de uns, inimigo de outros. Somos bons amigos, e, a cada alvorada ou pôr-do-sol, percebo o quanto sou responsável em apreender (e aprender) com sua presença.
Alguns farelos na lapela de meu terno denunciam minhas reflexões gastronômicas.
Vai começar a cerimônia. Luzes, música e o rigor dos apertos de mãos das formalidades.
Em um dos auditórios mais elegantes de Belo Horizonte, sou um menino dentro de um terno e gravata. Excêntrico. Fora do centro rígido da adultecência cheia de responsabilidades, contas e dificuldades.
(E lá no alto do palco, um casal de pardais cuida de seu ninho.)
